Pudesse eu prender entre os dedos os suspiros do mar e distribui-los às crianças
Pudesse eu acariciar com os dedos a suave brisa das ondas e sentir cabelos de crianças
Pudesse eu sentir nos dedos o beijo das espumas e ouvir os risos das crianças
Pudesse eu tocar com os dedos o sono do mar e embalar os olhos de crianças
Pudesse eu ter entre os dedos belas conchinhas e fazer colares p’ra as crianças
Oh, mar meu! Porque esperas? Porque não dás? Porque não sentes? Porque não ouves?
Imerso nos meus pensamentos fui subitamente estremecido
Do mar, do meu mar, vinham tremores saídos de barcos
Olhei para o céu que explodia os suspiros do mar eram choros de agonia a suave brisa o cheiro do pó e do sangue o beijo das espumas o estertor da morte o sono do mar as pedras da sepultura e as belas conchinhas desenhavam o destino da Pátria!